Alunos anseiam por quadros interactivos Estudo realizado pela Universidade Autónoma de Barcelona conclui que "85% dos professores consideram que o uso dos quadros digitais nas salas de aula aumenta a atenção, motivação e participação dos alunos".
"Pela primeira vez na história da Educação existe uma geração de alunos que domina as Tecnologias de Informação e Comunicação mais do que os professores." Quem o diz é João Ruivo, Professor Coordenador da Escola Superior de Educação do Instituto Jean Piaget, sublinhando ao EDUCARE a importância das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) nas escolas, quando lhe pedimos para comentar um estudo recente elaborado pela Universidade Autónoma de Barcelona e pela empresa de tecnologia didáctica Promethean. Nesse estudo, a conclusão assinala que "85% dos professores consideram que o uso dos quadros digitais nas salas de aula aumenta a atenção, motivação e participação dos alunos, numa investigação realizada no ano lectivo passado e que envolveu mais de 4800 alunos e 80 professores de 22 centros educativos espanhóis". O mesmo estudo conclui que "os Quadros Digitais Interactivos estão em franca expansão nas salas de aula espanholas. 90% dos professores e cerca de 82% dos alunos acreditam que com estas plataformas digitais aprende-se com maior facilidade. Por outro lado, a grande maioria de docentes (85%) e estudantes (91%) reconhece que a incorporação desta vertente digital nas aulas é bastante positiva". Mas este é o panorama espanhol.
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ME: "Difícil encontrar em Portugal estudo do género" O EDUCARE tentou, junto do Ministério da Educação, saber da existência de estudos fiáveis que permitissem o mesmo género de abordagem da matéria, mas a realidade desses estudos é residual e incomparável com o que foi elaborado pela Universidade Autónoma de Barcelona. No entanto, o Ministério da Educação avança com a certeza dos números: "5613 novos quadros interactivos entregues e 100% do projecto concluído".
Números à parte, João Ruivo salienta que "as conclusões da Universidade Autónoma de Barcelona podem ser resultantes de um estudo de caso" e que se ele fosse elaborado da mesma forma no nosso país, provavelmente os resultados iriam variar de cenário social para cenário social. Diz a propósito: "Se o estudo fosse feito num local onde o objectivo passasse por motivar os alunos a frequentar a escola, resolver os problemas familiares e olhar ao contexto de marginalização, os resultados não seriam tão favoráveis relativamente ao uso dos quadros digitais e restantes tecnologias quando comparados com os alunos de classe média ou classe média alta". Isto, "sem desvirtuar a importância fundamental das TIC", e recorda: "Se até há 20 anos só os professores dominavam o retroprojector e outras ferramentas, hoje, a geração de alunos que lida com computadores desde muito cedo está ao nível do professor ou até num patamar mais avançado e, nesse sentido, este estudo da Universidade Autónoma de Barcelona não me surpreende".
Quadros digitais como ferramentaOpinião semelhante quanto ao estudo de caso, mas ligeiramente diferente nas conclusões a ter em conta, é a de Fernando Albuquerque Costa, doutorado em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, onde é professor desde 1988. Para Fernando Albuquerque Costa, "o valor da utilização de qualquer tipo de ferramenta tecnológica deve depender do que quisermos fazer com ela". Ou seja: "o professor deve tomar a decisão consciente de usar os quadros interactivos desde que sirva os seus propósitos de ensino." Este docente que se dedica ao acompanhamento e estudo das TIC não concorda que "uma tecnologia que tem muitas possibilidades seja usada para o ensino e não como ferramenta de aprendizagem".
"Quadros interactivos fundamentais no ensino a surdos"Entretanto, e nas escolas, há professores com mais propensão à utilização dos quadros digitais enquanto outros vão fazendo formação. É o caso da docente Fátima Loureiro, que fala das competências dos professores e da obrigação da tutela: "Sabemos que em breve os professores têm de ter certificação de competências em TIC. Neste momento, vejo a formação como uma boa forma de comprovar as nossas competências, precisamente enquanto professores. Mas o ME, ao exigir que tenhamos este nível, deve também promover a existência de quadros interactivos em todas as escolas para que possamos todos ter acesso prático e efectivo."
Já Nuno Cardoso é um daqueles professores para quem os quadros digitais são fundamentais em vários aspectos e escreve, num dos sites a que se vai dedicando, serem "uma ferramenta muito útil para o ensino bilingue a crianças surdas, uma vez que a parte visual se revela fulcral do ponto de vista da aprendizagem e do ensino". Nuno Cardoso, que é professor de Educação Visual e Tecnológica em Estarreja, diz mesmo que a utilização desta ferramenta "transporta novas situações de comunicação reais para a sala de aula, o que de certa forma irá estimular muito mais os alunos". Esta é uma das opiniões que reconhece mais vantagens que desvantagens na utilização dos quadros digitais, não deixando de conter aspectos negativos, onde se destacam "os custos e manutenção do equipamento demasiado altos".
in educare.pt