Surdos começam aulas sem técnicos 
Os alunos surdos da Escola Básica Integrada dos Arrifes, actualmente o estabelecimento de referência para o ensino bilingue, começaram as aulas na passada segunda-feira ainda sem sete técnicos considerados essenciais para um ensino de qualidade e para a sua boa integração na escola. E a situação vai manter-se ainda durante pelo menos mais uma semana, até porque só ontem a Secretaria Regional da Educação autorizou a abertura do concurso para a contratação desses sete técnicos.
Em causa está, por um lado, a política de contenção financeira aplicada pelo Governo Regional, que obrigou a contratação desses técnicos, considerada excepcional, a ter de ser avalizada pela vice-presidência. Mas por outro lado está também, segundo o coordenador do Núcleo de Educação Especial da Escola Básica Integrada dos Arrifes, a demora da secretaria regional em resolver esta situação, uma vez que tinha na sua posse desde Julho o levantamento das necessidades da escola no que diz respeito ao ensino dos surdos e só no fim de Agosto, após várias insistências, refere Mário Jorge Medeiros, deu andamento ao processo. “O modelo de funcionamento da escola no que diz respeito aos surdos não é um modelo tradicional que se baseie exclusivamente na colocação normal de professores”, explica Mário Jorge Medeiros, que lembra que este ensino implica também, para além dos professores formados em Língua Gestual Portuguesa, a contratação de técnicos especialistas, como é caso dos intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, dos terapeutas da fala, dos técnicos de educação especial e reabilitação e dos técnicos de serviço social. E são esses técnicos que, neste momento, ainda estão por contratar. Os mais prejudicados neste momento são os alunos surdos profundos, que necessitam de um intérprete para poderem comunicar com os professores nas aulas e que começaram o ano lectivo sem esse apoio.
“Reflectimos muito nesta situação e, entre ter os alunos na escola e não os ter, optámos por eles estarem na escola independentemente de não termos ainda os recursos, por ser um processo que nos era alheio e por a associação de pais, bem como a associação de surdos de São Miguel, estarem ao corrente da situação”, afirma o coordenador do núcleo de Educação Especial da Escola Básica Integrada dos Arrifes. Além disso, a área dos intérpretes de Língua Gestual é deficitária nos Açores, havendo uma grande falta de técnicos locais. Os que existem vieram do Continente e, segundo apurou o Açoriano Oriental junto da associação de surdos de São Miguel, a informação sobre as ofertas de emprego nos Açores é pouco divulgada no Continente devido à autonomização da educação na Região, sendo que até pode haver técnicos disponíveis para virem para os Açores, mas que desconhecem as oportunidades de trabalho. No caso Escola Básica Integrada dos Arrifes, Mário Jorge Medeiros diz que há candidatos para as três vagas de intérprete de Língua Gestual que agora vão ser preenchidas e que já manifestaram o seu interesse antes do ano lectivo começar. O problema é se eles, entretanto, já arranjaram lugar noutras escolas do Continente.
• Surdos têm pela primeira vez este ano lectivo turmas próprias nos Arrifes Os alunos surdos, concentrados desde o ano lectivo passado na Escola Básica Integrada dos Arrifes, têm neste ano lectivo e pela primeira vez turmas próprias para favorecer o ensino bilingue de Língua Gestual e de Português. Neste ano lectivo, a Escola dos Arrifes tem 25 alunos surdos, da intervenção precoce ao programa PROFIJ. As turmas só com surdos são, no 1º ciclo do Ensino Básico, com quatro alunos e no 2º ciclo do Ensino Básico, com seis. Nos Arrifes estão actualmente concentradas as crianças e jovens surdos dos concelhos de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Lagoa, mas a escola tem colaborado com estabelecimentos de ensino de outros concelhos, como é o caso de Vila Franca do Campo.
Fonte:Açoriano Oriental