Mais de 90 por cento das crianças portadoras de deficiência que estudam em Cabinda são vítimas de abandono por parte dos progenitores devido à sua condição.
O chefe da área do ensino especial da Secretaria Provincial da Educação, Jonato Pítulo, disse, na sexta-feira, ao Jornal de Angola, que os divórcios e separações entre os pais de crianças com necessidades educativas especiais não contribuem para a recuperação dessas pessoas.
Jonato Pítulo, que também é professor, apelou aos pais e encarregados de educação para que reflictam, de forma aturada, sobre as decisões que venham a tomar em relação aos filhos com deficiências mentais, visuais e auditivas, congénitas ou adquiridas. “Ao ver a mãe abandonada, os meninos sofrem muito mais ainda por saberem que é por eles que a mamã perde o marido”, salientou o funcionário da Secretaria Provincial de Cabinda da Educação.
Neste ano lectivo, a província de Cabinda, segundo dados fornecidos por Jonato Pítulo, tem integrados 163 alunos portadores de deficiências visuais, auditivas e mentais, distribuídos por sete salas de aulas especiais, onde, até agora, se ministram matérias da 1ª à 10ª classe.
O município de Cabinda, sede provincial, é o que regista um maior número de alunos com necessidades educativas especiais, num total de 145, em que se destacam quatro jovens, sendo três surdos-mudos e um cego, que estão a frequentar o ensino médio.
Os restantes alunos matriculados nas salas especiais da província de Cabinda encontram-se nos municípios de Belize, Buco-Zau e Cacongo. Esta estatística, salientou o responsável, não faz referência aos alunos que se encontram a frequentar instituições privadas.
Para garantir o funcionamento das salas do ensino especial, estão 15 professores, entre os quais um cego e um surdo-mudo. A estes efectivos juntar-se-ão, provavelmente ainda este ano, mais cinco professores que estão a ser formados.
O responsável da área do ensino especial salientou que, apesar dos avanços que a província de Cabinda tem alcançado, muitas dificuldades ainda são visíveis no sector, principalmente na sede provincial onde há uma maior concentração populacional.
A falta de uma escola especial, a carência de material de apoio pedagógico, como equipamentos em Braille, e o reduzido número de professores e técnicos formados para trabalharem com crianças com necessidades educativas especiais são as principais dificuldades que esta área enfrenta. O chefe da área do Ensino Especial em Cabinda manteve há dias, nesta cidade, um encontro com uma delegação da Associação de Professores de Educação Especial em Angola (APEEA), encabeçada pela vice-presidente, Maria Lúcia.
A delegação levou de Cabinda uma lista contendo as dificuldades por que passa o ensino especial no enclave rico em petróleo e madeira.
Fonte: Jornal de Angola