A protecção da segurança e saúde dos trabalhadores mais vulneráveis exige cuidados especiais (3) No seguimento dos anteriores artigos sobre a problemática da segurança e saúde dos trabalhadores mais vulneráveis (trabalhador com deficiência e trabalhador idoso), abordaremos hoje as condições de trabalho dos trabalhadores jovens e os riscos que correm devido à falta de experiência, formação e consciência de perigo.
Relatório do Observatório Europeu de Riscos sobre o trabalho dos jovensDados nacionais e europeus indicam que os trabalhadores mais jovens correm maior risco de sofrer acidentes de trabalho e estão expostos a vários factores de risco físico: ruído, vibrações, calor, frio e manuseamento de substâncias perigosas.
Inquéritos realizados aos níveis nacionais e da EU sugerem que os jovens trabalhadores estão cada vez menos informados sobre os riscos profissionais e que os seus ritmos de vida e de trabalho continuam a aumentar no mundo actual.
Os jovens estão sujeitos a trabalhar com prazos apertados e a um ritmo acelerado e são eles quem mais trabalha por turnos e com horários de trabalho irregulares.
Avaliação dos riscos, organização e prevenção Os empregadores devem identificar os perigos e realizar uma avaliação dos riscos para determinar os riscos específicos a que os jovens estão sujeitos e as medidas de prevenção necessárias.
As avaliações dos riscos e as medidas e disposições adequadas devem incluir: - as tarefas proibidas aos jovens, identificando claramente as proibições relativas à utilização de determinados equipamentos e processos de trabalho, as zonas proibidas e as actividades que só podem ser realizadas sob vigilância;
- as necessidades e disposições em matéria de vigilância;
- as necessidades e disposições em matéria de informação, instrução e formação;
- a prevenção do assédio moral e do assédio sexual;
- disposições que atendam às exigências específicas dos jovens com deficiência ou necessidades especiais;
- informação aos pais e tutores sobre os riscos e as medidas de controlo;
- ligação com as entidades organizadoras dos estágios e da formação profissional;
- consulta aos representantes dos trabalhadores e aos próprios jovens trabalhadores sobre as disposições que lhes são aplicáveis.
É essencial que os jovens recebam formação eficaz em matéria de segurança e saúde no trabalho antes de - começarem a trabalhar, devendo ser reservado tempo suficiente para o efeito, devendo incluir:
- perigos específicos associados ao seu trabalho;
- perigos existentes no local de trabalho em geral;
- o que devem fazer para se protegerem;
- devem agir se considerarem que algo é pouco seguro;
- a quem devem pedir conselho;
- o que devem fazer em caso de emergência, se tiverem um acidente ou se necessitarem de primeiros socorros;
Finalmente, um conselho para os empregadores – empenhem-se em garantir segurança e saúde e estabeleçam procedimentos e medidas nesta matéria, mantendo-os actualizados e deixem bem claro que as práticas pouco seguras são inaceitáveis e reajam com rapidez às preocupações neste domínio.
E os pais o que podem e devem fazer? Procurem saber a natureza das funções que os seus filhos desempenham, perguntem-lhes se receberam formação, falem com os empregadores sobre as disposições em matéria de segurança e saúde e, se necessário, consultem a ACT.
in Setúbal na rede