Vacina de Gripe A deixa professora paraplégica em MandaguariA professora de História Vivian Madeira Farias, 26 anos, perdeu os movimentos das pernas 48 horas depois de tomar a vacina contra a Gripe A. A dose foi aplicada no dia cinco de abril de 2010 em um posto de saúde no município de Rio Verde (GO). Doze horas após a imunização, ela sentiu fraqueza nas pernas. Dois dias depois, estava paraplégica. Hoje, luta na Justiça para ser indenizada pelo governo.
Na época, Vivian saiu de Mandaguari (a 37 quilômetros de Maringá) para morar em Goiás. Ela dava aulas para o curso de Turismo no campus de Niquelândia da Universidade Estadual. Viajou para a casa do pai, em Rio Verde, onde passaria o feriado de Páscoa e na segunda-feira - dia do início da campanha para os jovens entre 20 e 29 anos - tomou a vacina.
Na terça-feira, trabalhou normalmente e, na quarta de manhã, foi parar no hospital porque não conseguia movimentar as pernas. Passou uma semana internada em Niquelândia e recebeu alta. A família, que mora em Mandaguari, conseguiu transferi-la para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde permaneceu por dez dias, mas a equipe médica alegou que a paralisia era psicológica.
Vivian tem mielite, uma doença neurológica provocada por inflamação da medula, e não poderia ter tomado a vacina contra a Gripe A. A doença foi descoberta há dez anos. Segundo a mãe Virgínia Madeira, técnica em enfermagem, ninguém avisou a filha sobre a restrição.
"Ela não deveria tomar, mas ninguém falou nada. Só se dizia na época que únicos que não deveriam ser vacinados eram os alérgicos a ovo", destaca.
A família move ação por danos morais e materiais contra a União pelo fato de o governo não ter alertado sobre os riscos que a população corria ao tomar a vacina. Em fevereiro do ano passado, o Ministério da Saúde divulgou um documento com a lista de reações adversas à vacina, entre elas a mielite.
João Paulo Santos
A mãe de Vivian, Virgínia Madeira perdeu o emprego por causa da filha Segundo o advogado de Vivian, Marcelo Azevedo Jorge, o protocolo não foi divulgado. "Uma pessoa que tem a doença não deveria ter tomado a vacina porque se a dose pode provocar a doença, também pode potencializá-la. E foi o que aconteceu com a Vivian", ressalta.
Na tentativa de voltar a andar, a jovem já se submeteu a três tratamentos. O atual, que é feito em Cascavel, foi o único que se mostrou eficaz. Com sessões diárias de fisioterapia, em três meses, ela já deixou a cadeira de rodas e caminha com muletas. A paralisia fez com que a bexiga perdesse a função. Hoje, ela usa sonda a cada cinco horas para urinar.
A mãe perdeu o emprego de técnica de enfermagem e ganha a vida vendendo biscoitos e bem-casados em Mandaguari, onde mora.
É com o dinheiro da venda dos quitutes que ela paga o aluguel de um quitinete para a filha, em Cascavel, e os procedimentos que não são cobertos pelo plano de saúde em função da carência.
Duas vezes ao mês, ela viaja a Cascavel para cuidar da filha. "Que patrão que vai liberar o funcionário a cada 15 dias para socorrer um filho?", questiona.
Esportista, Vivian era goleira de um time de futsal e ciclista. Nos fins de semana, reunia amigos e percorria de bicicleta os 37 quilômetros entre Maringá e Mandaguari.
"Mudou tudo na minha vida. O que eu mais sinto falta é de fazer atividade física, de andar de bicicleta", conta. "Eu tento me manter o mais sóbria possível para não piorar ainda mais as coisas. Não é fácil querer fazer alguma coisa e não poder", afirma.
Na ação, a família pede que o SUS assuma os custos do tratamento feito em Cascavel sob a justificativa de ter sido o único que trouxe melhoras. A família também pede indenização por danos morais no valor de R$ 2 milhões, além de R$ 200 mil de danos materiais pelo custo do tratamento.
Em nota, a Advocacia Geral da União (AGU) informou que contesta os R$ 2,2 milhões requeridos pela família "sob pena de enriquecimento indevido à custa dos cofres públicos". De acordo com a AGU, só a perícia médica pedida pela União vai dizer "com segurança" se a vacina da Gripe A causou a paralisia de Vivian.
Laudo
A paciente tem histórico de mielite. O quadro neurológico apresentado por ela horas após ter recebido a vacina pode caracterizar simples coincidência e o nexo causal é difícil provar, mas a paciente nega ter recebido qualquer orientação ou questionamento sobre alguma comorbidade que necessitasse maior atenção ou restrição. (…) a paciente encontra-se hoje deambulando com ajuda de muletas por perda de força de membros inferiores, astenia e apresenta incontinência urinária, que têm trazido muitos inconvenientes físicos e emocionais (…).
http://maringa.odiario.com/parana/noticia/497645/vacina-de-gripe-a-deixa-professora-paraplegica/