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Autor Tópico: Agressões e sangue servidos em horário nobre  (Lida 460 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

 
Entre os meios de comunicação social, a violência doméstica deixou de ser um tabu: as histórias de agressões e sangue conquistaram um lugar de destaque nos alinhamentos noticiosos de meios online, rádios, televisões e jornais. Mas será que o “espectáculo mediático” ajuda a combater o problema?

Eduardo Dâmaso (na imagem) não tem dúvidas: para o director-adjunto do “Correio da Manhã” (o jornal mais vendido em Portugal, com mais de 120 mil exemplares diários), “a própria comunicação social teve um efeito muito propulsor em relação à forma como a sociedade passou a percepcionar o problema da violência doméstica”.

Nas últimas duas décadas, à medida que a violência doméstica foi sendo assimilada na opinião pública como um problema, também as histórias de agressões no seio familiar foram ocupando cada vez maior espaço nos meios de comunicação social, fazendo manchetes e abrindo noticiários.

Hoje, “as pessoas consomem muito e gostam de consumir estas notícias, mesmo que alguns comprem estes jornais para os pôr dentro do saco, ou para os pôr dobrados debaixo do braço”, defende o sociólogo Paquete de Oliveira,: “a generalidade dos grandes públicos dá grande atenção à notícia fracturante, à notícia que joga com a transgressão”, às histórias “muito embrulhadas num certo aspecto emocional”.

A violência e o grande público

Embora a aposta em conteúdos fracturantes seja transversal a todos os meios de comunicação social, no caso das televisões, a aposta neste tipo de notícias tem resultados especialmente visíveis, reconhece Paquete de Oliveira: “as audiências sobem, sobretudo quando esses casos [de violência doméstica] são mediaticamente tratados”.

Ainda assim, a experiência como ex-provedor do telespectador da RTP diz-lhe que nem todos aprovam uma abordagem sensacionalista do problema da violência doméstica: “na correspondência do provedor do telespectador, apareciam aqueles que achavam que muitos destes casos têm um tratamento muito espectacular, muito pormenorizado, e por isso mesmo, apontam críticas nesse sentido”.

Mas o choque pode, com frequência, ser essencial para chamar a atenção do público para o problema, defende Eduardo Dâmaso: “a violência doméstica, para ser tratada como um verdadeiro problema na esfera política e na esfera social, tem que ser contada tal como ela é”. E remata: “portanto, quando se pretende obter determinado tipo de avanços civilizacionais, há uma necessidade óbvia de choque”.

A necessidade de choque

“Se nós acharmos que tudo se trata na perspectiva dos relatórios, das verdades macro, digamos assim, não chegaremos a lugar nenhum”, acrescenta o director-adjunto do “Correio da Manhã”: “Se a realidade não for contada de uma forma chocante, nos casos que aconteceram, então não tomaremos consciência dela”.

“É o facto de este tipo de problemas passar a ter uma repercussão pública muito maior do que aquela que tinha, que faz com que [os casos de violência doméstica] saiam dessa esfera muito cultural do «entre marido e mulher, ninguém mete a colher»”, explica.

Contactada pelo SAPO Notícias, a Entidade Reguladora da Comunicação Social disse nunca ter recebido qualquer queixa relativamente à forma como o problema da violência doméstica foi abordado na comunicação social.

Fonte: Sapo Noticias
 

 



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