Apoio indiano e altruísmo dão nova oportunidade aos amputados na Colômbia
Com o apoio de uma ONG indiana, a fundação Mahavir-Kmina se transformou em motivo de esperança para muitos colombianos amputados, que passaram a receber próteses gratuitas e sonhar com a possibilidade de caminhar.
Esta tarefa altruísta começou no ano de 2007, em Medellín. "A ideia era tentar contornar o impacto das milhares de amputações realizadas na Colômbia, quase todas em consequência de explosões de minas terrestres", explicou Juan Rodrigo Mejía, diretor-executivo da fundação Mahavir-Kmina.
Segundo números do Programa Presidencial para a Ação Integral contra as Minas Antipessoais (Paicma), entre 1990 e julho de 2011, as explosões das minas artesanais afetaram 9.444 colombianos, sendo 5.678 militares e 3.436 civis.
"Começamos com essa ideia porque as minas causam sérios problemas na Colômbia", afirmou Mejía. Ainda segundo o diretor-executivo, a fundação, por enquanto, consegue tratamento para apenas 4% do total necessário.
De fato, "o maior problema" está relacionado com pacientes diabéticos e dificuldades circulatórias, afetados por picadas de insetos ou feridos em acidentes de trânsito.
A organização de Mejía, com sede em Medellín, conta com o respaldo da fundação indiana Bhagwan Mahaveer Viklang Sahayata Saimiti (BMVSS), que coloca aproximadamente 30 mil próteses ao ano, além de fornecer capacitação, tecnologia e materiais.
A ONG indiana é a mesma que inventou o conhecido "pé de Jaipur", uma prótese desenvolvida com a reciclagem de pneu de bicicleta.
"O desenvolvimento das próteses dependem da Agência Aeroespacial da Índia. São pés muito parecidos com o pé humano, mas feitos em borracha", explicou Mejía.
A fundação colombiana é especializada em próteses para extremidades inferiores, pois, para seu diretor-executivo: "é muito mais importante uma perna que uma mão. Se uma pessoa perde as pernas, elas também perdem as mãos porque necessitam delas para segurar as muletas", concluiu.
Por conta deste motivo, em quatro anos de existência, a fundação Mahavir-Kmina colocou apenas entre 12 e 15 mãos, das 1.023 próteses implantadas.
Segundo Mejía, os países que vivem ou sofreram conflitos armados são os que mais desenvolveram técnicas de construção de próteses.
No caso da Índia, que tem sua fronteira com o Paquistão semeada por minas terrestres, a situação ainda é preocupante, já que o país ainda não assinou com a Convenção de Ottawa, conferência criada para proibir o uso dessas armas.
Incluída na conferência, a Colômbia é o segundo país mais afetado do mundo por estes explosivos, ficando atrás somente do Afeganistão, segundo a Campanha Internacional para a Proibição de Minas (ICBL).
A fundação Mahavir-Kmina assume os custos da implantação de próteses gratuitas com apoio de empresas públicas, privadas e cidadãos. Quando os pacientes não possuem recursos para pagar a viagem até Medellín eles ainda podem recorrer às prefeituras.
"Começamos com níveis muito baixos e fomos crescendo. No ano passado implantamos 260 próteses e, neste ano, esperamos colocar 360", esclareceu Mejía.
Segundo o Departamento Nacional de Estatística (Dane), há cerca de 2,6 milhões de limitados físicos na Colômbia, dos quais 760 mil foram vítimas de conflito armado, acidentes de passagem, doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas de saúde.
Da mesma forma que a Mahavir-Kmina, outras organizações sem fins lucrativos também oferecem apoio médico e psicológico às vítimas das minas terrestres, como a Fundação Meu Sangue, do cantor colombiano Juanes, e o próprio Ministério da Defesa, que se encarrega dos uniformizados.