Uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, demonstrou uma ligação entre a perda da proteína Perp, importante na conexão de células, e o tipo mais comum de cancro da pele. O trabalho, publicado na PLoS Genetics, sugere que a mesma possa servir como um indicador precoce do desenvolvimento da doença, além de ser útil no desenvolvimento de novas terapias e prognósticos, avança o site Ciência Diária.
A descoberta pode auxiliar outros tipos de cancro, já que a proteína Perp é encontrada em linhagens celulares de muitos órgãos internos do corpo, onde desempenha a mesma função que desempenha na pele: manter a aderência de uma célula a outra.
“Cerca de 90% de todos os cancros humanos são originários do tecido epitelial”, observa Laura Attardi, líder do estudo e professora adjunta de oncologia da radiação e genética na Stanford. “Os tecidos epiteliais são regenerados constantemente, criando muitas oportunidades para a ocorrência de erros durante a replicação do ADN, que pode promover o crescimento do tumor”, afirmou. A investigadora ressalta ainda que estes tecidos são particularmente expostos às toxinas do ambiente, como a luz ultravioleta, alimentação inadequada ou fumo do tabaco, por exemplo.
Falta da proteína Perp
Para chegar a estas conclusões, foram realizadas experiências com ratinhos com falta da proteína Perp, descobrindo que os animais também tiveram uma perda de desmossomos (a “ponte” entre células vizinhas, por onde se conectam os filamentos intermediários). Houve uma formação de bolhas e proliferação de células da pele. Nestes animais, o supressor de tumor p53 (responsável pelo ataque a células danificadas e deficiente pelo menos em metade dos pacientes com cancro) deixa de funcionar correctamente, sugerindo que a falta da proteína Perp tenha alguma ligação com isso.
“A perda da Perp promove o cancro de três maneiras diferentes”, disse a cientista, acrescentando que “há uma produção excessiva de moléculas inflamatórias – as chamadas promotoras do cancro –, aumento da sobrevida das células que deveriam ter ‘cometido suicídio’ e perda da adesão das células.”
Fonte: POP