Concretizar o sonho de qualquer criança, de “ser como um passarinho”, motivou a associação francesa 'Cavaleiros do Céu' a oferecer hoje em Coimbra batismos de voo a 130 cidadãos com deficiência.
É a segunda vez que este evento se realiza em Portugal, mas há 14 anos que os 'Chevaliers du Ciel' proporcionam a alegria de voar pela primeira vez a cidadãos deficientes. E os primeiros a beneficiar foram africanos, do Senegal.
Hoje, crianças e adultos, dos 4 aos 40 anos, com deficiências motoras ou mentais, viveram a sensação de passear pelos céus, a partir do Aeródromo Bissaya Barreto, em Coimbra, trazidas por uma dezena de instituições dos distritos de Coimbra e Leiria.
Emocionado, Manuel da Silva, piloto português radicado em França e um dos dinamizadores dos 'Chevaliers du Ciel', contou aos jornalistas que o que os motivou foi pôr o prazer que têm em voar ao serviço de crianças que, pela sua deficiência, não têm muitas possibilidades de o viver.
“Oferecemos a crianças deficientes um sonho de criança, de ser como um passarinho, levando-as pelo ar”, sublinhou o piloto à agência Lusa.
Alzira, Carina, Ricardo e Mário, que se deslocaram do distrito de Leiria para viver a emoção, momentos antes de entrarem na aeronave, evidenciaram alguma ansiedade, mas nenhum deles confessou recear o desafio desconhecido.
“É a primeira vez, sim, para experimentar. E estou bem”, declarou à Lusa Ricardo, confiante na sua cadeira de rodas. Depois de sair do avião, ao colo, foi vê-lo dar velocidade à cadeira de rodas, da pista à gare, com incontida aleg ria e um sorriso permanente.
Ana, oriunda do distrito de Leiria, também não se contera na partilha das sensações com quem ainda não tivera o seu batismo. Com dificuldades em verbalizar essa emoção, disse à Lusa ter gostado muito de “andar de avião pelo céu”.
“Foi uma sensação boa. Espetacular”, confessou Susana, embora tivesse “um bocadinho de medo”, mas isso foi superado pela emoção de “andar lá em cima e ver as casas e as coisas pequeninas”.
Manuel da Silva diz que a recompensa que sentem ao proporcionar estas alegrias “não se consegue explicar”.
“Conforme a deficiência das crianças é só o sorriso, o olhar deles. É essa a recompensa e é fantástica para nós”, observou, acrescentando que os pilotos já a começam a ter durante o voo, ao escutar os seus gritos de excitação.
“Quando chegam a terra é um fogo de artifício. Aí é que é fantástico”, confessa Manuel da Silva, ao aludir à alegria sem limites que observam à saída das aeronaves.
Também a atleta Mónica Rosa, “madrinha” do evento, contou à Lusa a emoção que sentiu quando “ganhou” um sorriso de uma criança, ao oferecer-lhe uma foto sua autografada e um afago. Era o primeiro sorriso do dia, que nem os pais lhe tinham conseguido conquistar.
O evento, organizado pelos 'Chevaliers du Ciel' e Rotary Clube de Pombal, trouxe de França cinco aeronaves com dois pilotos franceses, dois portugueses e um libanês.
Fonte: Correio do Minho