A missão é nobre. O Pingo Doce, com a ajuda da ACAPO, contratou duas funcionárias com deficiência visual.
Rosa chega a ansiosa. É o primeiro dia de trabalho, depois de ter ficado desempregada em 2007. Trabalhou, durante 10 anos, na ARCA. Quando ficou de licença de parto, foi informada da extinção do seu posto de trabalho. Desde então, tem estado desempregada.
A residir em S. Martinho do Bispo, Rosa Esteves, invisual, de 41 anos, começou ontem uma vida nova. Foi contratada para trabalhar na área de embalamento e reposição na Padaria do Pingo Doce (grupo Jerónimo Martins) e na área administrativa, no sistema operacional de Informática. Com ela, Eunice Santos, de 33 anos, amblíope, foi contratada para trabalhar na reposição na secção de Frutaria e na Florista.
Depois de três semanas de estágio, o desempenho das duas funcionárias “superou todas as expectativas”. “É a primeira vez que temos pessoas com deficiência visual a trabalhar na área operacional. Até aqui, essas pessoas eram, geralmente, contratadas para desempenhar as funções de telefonista ou recepcionista”, disse Rui Moreira, responsável do Pingo Doce na zona Centro.
A intenção inicial era contratar apenas uma pessoa. Partiu-se, então, para a experiência: no Pingo Doce da Portela, durante o estágio, a empresa fez uma adaptação do equipamento,
colocando informação em Braille para que Rosa e Eunice pudessem orientar-se no cumprimento das suas funções. Aposta feita, aposta ganha. O desempenho foi tão bom que o Pingo Doce resolveu contratar as duas mulheres.
O contrato foi celebrado ontem e, a partir de agora, Rosa Esteves e Eunice Santos iniciam uma vida nova no mercado de trabalho. Começarão por ganhar 500 euros (ordenado mínimo da empresa), mais subsídio de alimentação (116 euros). Domingos e feriados serão remunerados conforme o disposto na lei.
A contratação aconteceu no âmbito de uma parceria do grupo Jerónimo Martins com a ACAPO, na integração laboral de pessoas com deficiência de visão. Teresa Pedro, Departamento de Apoio ao Emprego e Formação Profissional da Acapo, mediou o processo.
“Estamos a dar uma oportunidade para que as novas trabalhadoras possam crescer e integrar-se profissionalmente, mas sem proteccionismo”, ressalvou Rui Moreira. Rosa como Eunice sabem que muitas empresas não acreditam, ainda, na capacidade dos deficientes visuais”. Elas já provaram o contrário.
Diário As Beiras
Patrícia Cruz Almeida
2 Março 2010