Igreja avança com fundo para apoiar as famíliasProjecto para angariar donativos, criado em Julho e gerido pela Cáritas Portuguesa, passa a ter carácter de urgência, dizem bisposOs bispos portugueses, reunidos em Fátima, decidiram agilizar com urgência o Fundo Social Solidário para dar uma ajuda às famílias mais afectadas pela crise. O objectivo é responder às carências sem ser "apenas com palavras e boas intenções", mas pagando roupa, propinas ou rendas de casa. A primeira campanha será feita antes do Natal.
Para que a recolha entre em acção falta apenas "regulamentar e aprovar a versão final dos estatutos", explica o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão. O fundo vai ser gerido pela Cáritas "numa rede com outras obras da igreja e não só, para que haja uma resposta convincente".
É isso que a assembleia plenária da CEP, em Fátima, está a ultimar. O padre Manuel Morujão assume que esta medida com carácter de emergência surge porque os pedidos de ajuda têm disparado "nas zonas citadinas e industrializadas". Vai ser dada uma atenção à "pobreza envergonhada", diz o porta-voz, pagando "alimentação, vestuário, rendas de casa, propinas, medicamentos, vertentes que são muito actuais nestes tempos".
E o padre Manuel Morujão não deixa de fazer uma crítica aos poderes públicos, sublinhando que "o Estado tem deveres inalienáveis e o dever de ajudar os que querem ajudar e que têm instrumentos de serviço, como é a Igreja. A responsabilidade do Estado é também ajudar os multiplicadores de ajuda".
Com os fundos angariados - será lançada uma campanha de solidariedade no Natal, através dos microfones da Rádio Renascença -, a Cáritas vai ser capaz de responder a nível local e diocesano. A acção social da Igreja Católica "é uma fatia da resolução da crise", diz o porta-voz da CEP, sobretudo nas zonas do País onde o desemprego tem atirado muitas famílias para níveis de carência grave.
Em conferência de imprensa, o padre Manuel Morujão sustentou ainda que estará em vias de ser criado um Observatório Nacional de Acção Social, bem como um Serviço Pastoral de Ajuda às Pessoas com Deficiência. "São iniciativas que estão a ser estudadas para que a resposta tenha muitos braços, para que todos sejamos parte da solução", porque "os pedidos às várias instituições ligadas à igreja nalguns pontos têm duplicado, nalgumas Cáritas diocesanas há 30% de pedidos a mais. Há um crescendo em que se verifica a crise que dói e que não é um fantasma que não pertence a ninguém".
Outro dos problemas em cima da mesa na Assembleia Plenária da CEP é o diferendo entre aquela instituição e a União das Misericórdias Portuguesas. Segundo o padre Manuel Morujão, "espera-se que, brevemente, possa ser assinado esse acordo que ultrapasse pontos polémicos". As Misericórdias fizeram duras críticas ao decreto divulgado em Setembro pela CEP, que obriga estas instituições a consultar a Igreja nas medidas de gestão.
Outra das críticas da Igreja vai para a intenção do Governo em renegociar contratos com escolas particulares. "Se o ensino particular fechasse as suas escolas seria uma crise nacional", alertou.
in DN online