1068 deficientes estão em risco
Muitas das situações de maus tratos a crianças e jovens acontecem em casa Portugal tem 1068 crianças e jovens com deficiência, identificadas pela Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR). Este número representa 1,6 por cento das 68 421 crianças acompanhadas em 2010 pela comissão. Os casos mais frequentes são os de negligência, registando-se, também, situações de maus tratos psicológicos e físicos e abusos sexuais.
Uma das situações violentas mais graves, a envolver um adolescente com Trissomia 21, aconteceu no Porto. Uma mulher, de 64 anos, já tem julgamento marcado para Fevereiro do próximo ano, acusada de maus tratos e abuso sexual do próprio filho, hoje com 19 anos.
O adolescente era sistematicamente vítima de violência física – a mãe esbofeteava e esmurrava o filho – e psicológica (insultos como ‘mongolóide’ e ‘porco’). Segundo a acusação do Ministério Público, as agressões tanto aconteciam em casa como na rua, à frente dos vizinhos. À noite, a mãe despia-se à frente do jovem e deitava-se com ele toda nua, abusando sexualmente do filho deficiente.
O julgamento da mulher que mora num bairro social no Porto, será feito à porta fechada.
DISCURSO DIRECTO
"SOCIEDADE DEVERIA DENUNCIAR VIZINHOS", Armando Leandro, Presidente da CNPCJR
Correio da Manhã – Qual é a responsabilidade do Estado nas situações de violência para com crianças e jovens?
Armando Leandro – A responsabilidade do Estado e da sociedade é introduzir medidas que permitam aplicar políticas de prevenção e protecção, para que estas situações não aconteçam.
– De que forma actuam as comissões de protecção?
– Sempre que identificamos situações, fazemos um acompanhamento das mesmas, de forma a defender as crianças.
– O que pode fazer a sociedade?
– Todos nós temos o dever ético e moral de denunciar as situações que conhecemos na nossa vizinhança.
CM