Novas valências e mais apoio Colaborar com outras associações, abrir ainda mais à comunidade, formar técnicos de hipoterapia e organizar um congresso são actividades que a Associação Erid se propõe realizar no próximo ano. Além disso, acaba de renovar a equipa técnica, que presta agora apoio em mais áreas.
Associação Educar, Reabilitar e Incluir Diferenças (Erid), que funciona nas instalações da Escola Superior de Educação de Castelo Branco, acaba de reforçar a sua equipa multidisciplinar de apoio a crianças e jovens, apostando num trabalho de continuidade, mas agora com novas valências. O objectivo é que os pais das crianças que frequentam a instituição possam optar entre uma intervenção integrada, envolvendo todas as áreas, ou uma intervenção mais especializada numa determinada área.
Neste momento, a Associação está organizada em três centros, Recursos, Desenvolvimento e Equitação, onde trabalham professores e educadores no desenvolvimento de competências académicas e de integração na vida activa, através da intervenção em várias componentes, como fisioterapia, psicologia, terapia da fala, psicomotricidade, hipoterapia e equitação. Já em colaboração com o centro de desenvolvimento infantil Diferenças, pertencente à Associação Portuguesa de Trissomia XXI, a Erid proporciona uma consulta de pediatria do desenvolvimento.
Reconquista esteve numa reunião com a equipa da Associação e explica o trabalho desenvolvido em cada uma das áreas pelos técnicos responsáveis. No caso da Fisioterapia, Vera Silva organiza um apoio individual em termos de treino de coordenação, actividades da vida diária e apoio aos pais para lidarem com os filhos. Para tal, a técnica faz o diagnóstico caso a caso, propondo depois um plano de elaboração.
A intervenção é sempre feita em interacção com as famílias, tal como referem Ana Mota e Sílvia Coimbra, que trabalham no Centro de Recursos. Elaboram um conjunto de objectivos adaptados a cada criança, que incidem nas expressões, Língua Portuguesa, Estudo do Meio, Matemática, bem como em competências pessoais e sociais. “O Centro de Recursos pode proporcionar actividades específicas ou um conjunto organizado de actividades, a desenvolver duas a três vezes por semana, em acordo com os pais. Tudo depende do plano global de intervenção”.
Terapias integradasAs áreas de Psicologia, Terapia da Fala, Psicomotricidade e Fisioterapia são desenvolvidas no Centro de Recursos e no Centro de Desenvolvimento. Os técnicos procuram implementar uma intervenção integrada, sendo que uns técnicos podem encaminhar as crianças para outros técnicos se assim lhes indicar o diagnóstico.
No caso concreto, a psicóloga Inês Vigário faz uma primeira avaliação, recorrendo a instrumentos psicológicos e mais informais. Essa avaliação é efectuada junto das crianças e adolescentes, mas também é recolhida informação junto de pais e professores. Os dados são depois apresentados aos pais, para que possam ter um papel activo na definição da intervenção. Estabelece-se então um plano de cariz relacional e pedagógico, que pode estar mais vocacionado para o desenvolvimento de competências académicas ou comportamentais.
Esta forma de trabalhar é também aplicada ao nível da intervenção na Terapia da Fala, a cargo de Joana Pinheiro, cuja área específica se liga à comunicação, à linguagem e à fala.
O novo psicomotricista da Associação, João Vidigal, vai desenvolver um trabalho centrado numa perspectiva relacional. “As crianças vão construindo a sua identidade na relação com os objectos e com os outros. O terapeuta é um mediador, que trabalha essencialmente as capacidades e não tanto as dificuldades. Muitas vezes são as crianças que conduzem a sessão sobre o nosso olhar”, refere. Este tipo de atitude terapêutica é comum noutro tipo de abordagens, como a dançoterapia ou musicoterapia. Neste caso, aquele especialista trabalha com objectos como fantoches, blocos, bolas, com a exploração do espaço, apelando à espontaneidade e criatividade da criança.
Desporto e HipoterapiaTelmo Roque é o técnico de Desporto e Actividade Física. Trabalha ao nível da natação, mas também da psicomotricidade, procurando desenvolver noções corporais, equilíbrio e coordenação através da realização de jogos. As actividades que desenvolve são sobretudo em grupo, tal como acontece também nos campos de férias da Associação, em que está envolvido. Auxilia ainda o equitador ao nível da hipoterapia.
No Centro de Equitação da Escola Superior Agrária, que está certificado e acreditado pela Federação Equestre Portuguesa, são desenvolvidas actividades de equitação, mas sobretudo de hipoterapia e equitação terapêutica, com um total de 50 alunos. A primeira consiste na intervenção junto de pessoas com deficiência, com a ajuda do cavalo. “O cavalo, a passo, produz movimentos tridimensionais que são similares aos padrões do movimento humano, que se encontram alterados nas crianças com problemas motores”, explica. A equitação terapêutica visa melhorar a postura e o equilíbrio, tendo como objectivo promover a socialização e a recreação.
Estas actividades terapêuticas são desenvolvidas por uma equipa de educadores que trabalha com o equitador, sendo que a escolha do cavalo é decisiva. A maioria das sessões são individuais, mas também há actividades de grupo, como é o caso do dia equestre da escola. “No ano passado, a parte da manhã foi destinada a um convívio com pais e alunos da Erid. Na parte da tarde decorreram provas de obstáculos e dressage abertas a todos os alunos da escola”, afirma.
Ouro trabalho em curso é a organização de um curso de Sela 4, da Federação Equestre Portuguesa, que inclui prova teórica, mas também de obstáculos e dressage. A vantagem deste curso é que permitirá formar técnicos de hipoterapia e não apenas de primeiro nível. O importante é que haja candidatos.
Dado o carácter do trabalho desenvolvido, a responsável da Associação, Gabriela Nunes, refere que existe uma total abertura para colaborar com outras associações, além de explicar que “a formação desenvolvida destina-se a toda a comunidade”. Essa será uma mensagem a passar no congresso que a Associação quer organizar na Primavera de 2011, reeditando o que fez em 2007. A prova de abertura está na realização dos campos de férias, abertos a todas as crianças, nos quais há sempre mais interessados do que vagas.
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