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Autor Tópico: Workshop em Beja  (Lida 1919 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

Workshop em Beja
« em: 21/07/2010, 22:03 »
 
Para acabar com “preconceitos e inverter o ciclo de desigualdade” é fundamental que as pessoas portadoras de deficiência conheçam os seus direitos, defende a directora do Instituto Nacional para a Reabilitação. Alexandra Pimenta participou em Beja num workshop destinado a debater a pobreza e a deficiência, promovido pelo núcleo de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza, pela Cercibeja e por 13 câmaras municipais do distrito de Beja.

A baixa percepção da discriminação das próprias pessoas portadoras de deficiência em Portugal mostra que "existe um imenso trabalho pela frente" para "acabar com os preconceitos e inverter o ciclo de desigualdade". De acordo com Alexandra Pimenta, directora do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), "mais que criar prestações sociais, respostas sociais, é fundamental que se trabalhe em conjunto na percepção da discriminação, porque enquanto as pessoas não tiverem conhecimento dos seus direitos e não estiverem capacitadas para o seu exercício a pressão que podem fazer nas famílias, nas comunidades locais, nas escolas, nas repartições dos serviços públicos, nas instâncias europeias ou internacionais acaba sempre por ser extremamente frágil. As famílias também devem interiorizar que os seus filhos, os seus familiares com deficiência, têm direitos, pelo que têm que insistir, por exemplo, junto da comunidade escolar para que os mesmos sejam respeitados".

A responsável falava em Beja durante a realização de um workshop subordinado ao tema "Pobreza e deficiência", integrado no projecto Localizar o Social e Socializar o Local, promovido pelo núcleo de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza (Reapn), pela Cercibeja e pelas câmaras municipais do distrito de Beja, com excepção da de Odemira, no âmbito do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. As acções integram dirigentes, técnicos e destinatários.
O baixo nível de percepção da discriminação é um dos dados revelados por um estudo realizado em 2007 pelo Centro de Reabilitação Profissional de Gaia e pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Iscte), com o apoio do IRP, que apesar de ter trabalhado "com uma amostragem qualitativa e não quantitativa - 1.235 pessoas", permite, de acordo com Alexandra Pimenta, e face à escassez de dados na área, "caracterizar de alguma forma a situação das pessoas portadoras de deficiência".

A responsável apontou ainda como bastante interessantes os dados relativos ao nível de ensino, dados esses que permitem "perceber o fenómeno da pobreza das pessoas com deficiência e também as áreas que são fundamentais para inverter este ciclo de pobreza e desigualdade". Segundo o estudo, "a taxa de população portadora de deficiência que não sabe ler nem escrever é extremamente alta comparativamente à população em geral; a taxa de população portadora de deficiência que atinge o ensino básico é extremamente baixa relativamente à população em geral; sendo que a partir do momento em que o ensino começa a ser mais qualificado, a taxa de participação é ainda mais baixa". Nas palavras de Alexandra Pimenta, "isto dá ideia de imediato que são pessoas que à partida partem em desigualdade de condições no que se refere à qualificação e hoje em dia a qualificação é fundamental para a participação, para o conhecimento dos direitos e o exercício dos mesmos, mas também para se conseguir exercer uma actividade que seja remunerada e portanto uma das causas da pobreza, e que atesta uma enorme desigualdade de oportunidades, é o nível de ensino das pessoas com deficiência".

Grandes investimentos são oportunidades para desfavorecidos

A taxa de actividade económica das pessoas portadoras de deficiência também é inferior à da população em geral, "principalmente no grupo etário entre os 18 e os 35 anos, o que é precisamente inverso ao que acontece com a população em geral porque esta é a idade de maior actividade económica", salientou a directora do IPR, adiantando que a taxa de desemprego é o dobro da taxa da população em geral. Em termos profissionais, "os grupos que exigem maior qualificação são aqueles que têm uma representação mais baixa de pessoas portadoras de deficiência", sendo que grande percentagem acaba por se situar nos grupos "trabalhadores não qualificados, operários e artífices e também em pessoal de serviços e vendedores".

Estes dados, considerou Alexandra Pimenta (e no seguimento do que já tinha sido defendido pelo presidente do núcleo de Beja da Reapn, João Martins, que na sessão de abertura do workshop disse que na região há todo um conjunto de oportunidades, é preciso é valorizar os critérios de diferenciação da região), devem ser vistos, no entanto, e no caso concreto do Alentejo, "como uma oportunidade". "A actividade exercida a nível dos serviços, na agricultura, em termos de trabalhos efectuados por operários e artífices são no fundo aquelas actividades, algumas delas tradicionais, que são as grandes oportunidades de futuro nas áreas não urbanas e quando ouvi falar aqui do Alqueva que era uma oportunidade acho que devemos encarar estes grandes investimentos sempre como uma oportunidade para os grupos desfavorecidos".

A responsável deu como exemplo, e que é considerado mesmo uma boa prática a nível europeu, um projecto no âmbito do turismo de natureza, acessível a todos, promovido na Lousã e em que um dos parceiros é a Arcil - Associação para a Recuperação das Cidadãos Inadaptados da Lousã. "Conseguiram-se criar condições para proporcionar a pessoas com incapacidade, seja porque têm deficiência, ou porque tiveram um acidente e estão temporariamente limitadas, ou por terem mais idade, actividades lúdicas e radicais, como parapente, escalada, descidas de rio, coisas que à partida diríamos que uma pessoa que tem uma deficiência nunca poderá fazer e estamos profundamente enganados. Foi uma forma também de identificar um nicho de mercado, e o que aconteceu é que a Lousã regista aumentos populacional, comercial, industrial, por isso isto é um exemplo como zonas extremamente desfavorecidas, que parece que não têm oportunidades nenhumas, com uma parceria estratégica conseguiram fazer com que fosse precisamente a deficiência que tivesse contribuído para a valorização turística do local".

Alexandra Pimanta chamou ainda a atenção para a questão da acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência, que é encarada "como um encargo, um favor que se está a fazer", quando na realidade "é uma obrigação da sociedade". Por outro lado, existe também a ideia "de que a acessibilidade representa uma grande despesa", referiu a directora do INR, quando "na verdade tem de ser vista como um investimento": "Se se investir na acessibilidade aumentam-se as oportunidades de participação das pessoas com deficiência que deixam de ser tão dependentes do nosso sistema social ou das próprias famílias e criam-se cidadão activos".

Emprego, participação e envelhecimento

Depois do tema “Pobreza e deficiência”, para ontem, quinta-?feira, estava prevista a realização em Cuba do segundo workshop, desta vez subordinado ao tema “Formação e emprego”. Os trabalhos prosseguem no dia 29 deste mês, em Moura, com o debate sobre “Participação e empowerment”. O programa reserva ainda os workshops “Empreendedorismo e economia social”, a ter lugar em Aljustrel, no dia 23 de Setembro, e “Envelhecimento”, a realizar no dia 29 de Setembro, em Castro Verde.

O projecto, que visa, entre outros objectivos “fomentar a sensibilização, o debate e a mobilização dos actores relevantes no plano local e regional para o combate à pobreza e exclusão social através da realização de encontros temáticos de reflexão; e potenciar o envolvimento e a participação activa de diferentes destinatários nas acções do projecto”, chega ao fim no dia 15 de Outubro, em Beja, com o seminário “Multi-visões da pobreza no Baixo Alentejo”.

Fonte: Diário do Alentejo
 

Offline Eduardo Jorge

Re:Workshop em Beja
« Responder #1 em: 21/07/2010, 22:11 »
 
Isto é hipocrisia pura. Como pode esta Senhora Alexandra Pimenta, afirmar que nós não temos percepção de discriminação?

É uma ofensa!! Eu próprio estou farto (e tenho provas) de lhe enviar (via INR) imensas provas de discriminação, e inclusive trocamos e-mails sobre o assunto e ela como directora do INR, nada faz ou fez.
Agora vem com esta conversa sem nexo nenhum. Aqui está mais uma vez a prova que andam a brincar descaradamente connosco.

Sinceramente...
 

Online migel

Re:Workshop em Beja
« Responder #2 em: 21/07/2010, 22:25 »
 
Eles pensam que para os deficientes qualquer esmola é suficiente, quando o que está em causa são os direiro fundamentatis de qualquer ser humano.
Ou eles não nos consideram como tal?
 

 



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