Liliana Soares, 16 anos, é um dos rostos da ‘Campanha Tampinhas’. A jovem, portadora de paralisia cerebral, não fala e move-se com a ajuda de uma cadeira de rodas manual, cedida pela Segurança Social, dados os parcos recursos financeiros do agregado familiar.
A menina nasceu com um atraso psicomotor grave, sofrendo de hiperactividade e princípios de autismo. Reside na freguesia de Golães, concelho de Fafe, e frequenta a Cercifaf há quatro anos, instituição que a ajuda sobretudo ao nível da fisioterapia.
Liliana precisa de uma cadeira de rodas eléctrica com comando na parte traseira para que os familiares a possam conduzir.
“A minha filha tem inteligência equiparada a uma bebé de 15 meses”, disse a mãe, Carmo, ao ‘Correio do Minho’, referindo-se à “incapacidade da filha que chega aos 98 por cento”.
“A nossa casa tem uma rampa muito acentuada e é muito complicado empurrá-la”, lamenta a mãe que é muitas vezes obrigada a transportar a menina em condições difíceis.
‘Lili’, como é tratada pela família e vizinhos, é apenas um dos rostos da campanha Tampi-nhas, que tem na região uma impulsionadora fervorosa.
A voluntária Maria do Rosário Gonçalves, que iniciou o seu projecto de recolha de tampas de plástico em 2006, mostrou-se também disponível para tornar real o desejo da família de Liliana, que é poder usufruir de uma cadeira de rodas eléctrica, minimizando o esforço físico na deslocação da jovem.
Há oito meses, a mãe da jovem com paralisia cerebral começou a juntar tampas para a cadeira de rodas, “mas são precisas quatro toneladas” para o tipo de cadeira que Liliana precisa, explicou Maria do Rosário.
Até ao momento, a mãe de ‘Lili’ já conseguiu juntar uma tonelada de tampas de plástico, contando, na recolha, com o apoio dos Agrupamentos de Escolas de Montelongo e Carlos Teixeira, de algumas empresas e de muitas pessoas, a título particular, sobretudo da freguesia.
Para além de ajudar a jovem a entrar e sair de casa com mais facilidade, a cadeira de rodas será também um motivo para Liliana poder passear com a fa-mília nas devidas condições de conforto.
Os rostos desta campanha das tampinhas estão espalhados por vários concelhos, como é o caso de Fafe, Vila Verde, Vila Nova de Famalicão, Esposende, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, entre outros.
Ao todo, através do seu projecto de voluntariado Maria do Rosário Gonçalves já ajudou mais de 20 pessoas. “Só em Vila do Conde, no espaço de um mês, foram entregues quatro cadeiras de rodas e uma cama articulada”, destacou com satisfação.
Neste momento, a voluntária está a ajudar mais duas pessoas nas cidades de Fafe e em Braga.
Paulo vive em Celeirós e foi vítima de um acidente de trabalho que o atirou para uma cadeira de rodas.
Aos 30 anos de idade, o jovem que ficou tetraplégico precisa de uma cadeira de verticalização para minimizar os efeitos da paralisia.
José Soares tem 49 anos e vive em Fafe. Também ele, vítima de um acidente de trabalho, ficou paralisado do lado direito e por isso precisa de uma cadeira de rodas eléctrica para se poder deslocar sozinho.
Para a aquisição da cadeira de rodas são precisas quatro tone-ladas de tampas, “mas José já conseguiu recolher duas toneladas”, contou a voluntária residente em Vila do Conde.
Confiante no sucesso desta iniciativa de solidariedade, que a concretiza a nível pessoal, Maria do Rosário apela à ajuda de todos na recolha de tampas de plástico, pois é o “passa palavra” que faz crescer este projecto solidário que tem levado muitos sorrisos a várias famílias, não só do Minho, como de Portugal.
Fonte: Correio do Minho