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Transformar o mundo para incluir todos
« em: 12/10/2023, 15:59 »
 
Transformar o mundo para incluir todos

Teleconsultas gratuitas, desporto adaptado ou teatro inclusivo são alguns dos projetos vencedores da 14.ª edição do Prémio BPI Fundação “la Caixa” Capacitar.


09 out. 2023, 14:52


Getty Images/iStockphoto


Sob o lema “Ajudar quem ajuda”, os Prémios BPI e Fundação “la Caixa” são atribuídos anualmente com o fim de apoiar projetos de instituições privadas do terceiro setor, que desenvolvem ações concretas junto da população. Criados em 2010, já distinguiram 307 projetos, com um montante superior a 9,7 milhões de euros, tendo ajudado mais de 49 mil pessoas.

“O Prémio Capacitar foi pioneiro a apoiar a temática da deficiência, servindo como rede de segurança não só no âmbito das terapias, mas também para garantir atividades de ocupação e empregabilidade de pessoas com deficiência, existindo a grande preocupação de conseguir que esta população vulnerável com níveis de precariedade e pobreza superiores à média da população geral – tenha uma hipótese de reinserção social e possibilidade de se sentir útil”, sublinha Carlos Farinha Rodrigues, membro do júri e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Em 2021, 30,5% das pessoas com deficiência encontravam-se em risco de pobreza ou de exclusão social, segundo o relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2022″, do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH-ISCSP).  Para contribuir para uma maior inclusão social, autonomia, emprego e bem-estar as candidaturas vencedoras receberam no total 1.072.820 euros e cada uma, em média, mais de 34.600 euros.

Com o objetivo de dar respostas sociais que aumentem a qualidade de vida destas pessoas, bem como das suas famílias, a criatividade e diversidade dos projetos foram apostas ganhas na edição de 2023. Mas o papel desempenhado vai mais além e tem resultados visíveis no terreno: “Quando olhamos para a incidência destes projetos constatamos a oportunidade das pessoas se autovalorizarem, tendo uma participação ativa na sociedade, mas simultaneamente verifica-se um reforço das instituições que lidam com estas problemáticas e nesse sentido estamos a beneficiar uma capacidade de atuação mais efetiva, mais eficiente e mais abrangente para combater a precariedade social”, acrescenta Carlos Farinha Rodrigues.

Para uma gestão autónoma do dia a dia
Os projetos premiados permitem a capacitação para a gestão autónoma do dia a dia, ajudando a desenvolver “valências de forma sustentada”, oferecendo horizontes para que estas pessoas desempenhem um conjunto de atividades ou tenham acesso a apoios que em circunstâncias mais comuns poderiam ser inexistentes.  Desde terapias especializadas para tratar ou retardar avanços das incapacidades, promoção de serviços ao domicílio até à teleassistência as propostas são variadas e incluem também o desporto como passeios em bicicletas adaptadas ou a arte impulsionando o teatro inclusivo. Alguns projetos têm um toque de originalidade como a aposta na criação de um canal de televisão com a missão de capacitar pessoas com deficiência para a comunicação social e combater a exclusão, através do desenvolvimento dos seus próprios programas de televisão, em interação com a comunidade. Em comum, as iniciativas têm o dom de quebrar o isolamento social e os exemplos prosseguem: sessões de leitura, workshops de culinária ou atividades de jardinagem. A pensar também nas famílias um dos projetos inclui, por exemplo, a criação de uma residência temporária assistida, para estadias de curta duração de doentes neurológicos, porque os cuidadores também têm direito ao descanso.

A inclusão socioprofissional, com a promoção do emprego de pessoas com deficiência em atividades agrícolas como o cultivo de plantas aromáticas ou o negócio social de cogumelos, bem como a ocupação e empregabilidade de mulheres com doença mental na área da pastelaria constituem bases sólidas para uma maior proteção social, impulsionando a autonomia que é uma das grandes metas destes apoios.

Ser cada vez mais solidário
A edição do Prémio BPI Fundação “la Caixa” Capacitar 2023 “permitiu consolidar algumas tendências que já se verificavam em anos anteriores, em primeiro lugar a importância crescente das iniciativas que visam diretamente a inserção social de pessoas com deficiência: não estamos apenas perante projetos que permitem exclusivamente que vivam cada vez melhor, mas que garantem que se inserem com direitos plenos na sociedade”, salienta o membro do júri Carlos Farinha Rodrigues.

Um segundo aspeto relaciona-se com o facto de com “estes prémios estarmos a reforçar a componente social da intervenção de diversas instituições não só as organizações sem fins lucrativos, mas a rede social da zona que estão a intervir, as autarquias ou as próprias universidades que participam ativamente nestas várias iniciativas e que desta forma reforçam a componente de solidariedade coletiva que é tão importante para reduzirmos as situações de precariedade social e mesmo de pobreza”.

Um terceiro ponto, realçado pelo professor do ISEG, detém-se no “número cada vez maior de voluntários envolvidos nestes projetos que permitem uma maior disseminação do prémio, um maior entrosamento com a realidade que se vive em cada um dos locais em que estas instituições atuam, a disseminação da ideia de que a solidariedade social é algo extremamente importante não só para o BPI e Fundação “la Caixa”, mas para centenas de instituições que de uma forma empenhada assumem esta capacidade transformadora com o objetivo de melhorar a realidade das pessoas com maior desproteção social”. Para mudar o mundo no sentido de uma sociedade mais inclusiva.



Fonte: Observador
 
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