Profitecla e Associação de Deficientes selam compromisso inclusivo
Mais importante do que a eliminação de barreiras físicas, é a formação de mentalidades e comportamentos sociais relacionados com a deficiência.
Nesse sentido, a Escola Profissional Profitecla de Braga rubricou ontem um protocolo de parceria com a delegação distrital de Braga da Associação Portuguesa de Deficientes (APD).
O protocolo prevê a disponibilização de alunos dos cursos de Turismo e Restauração (Mesa/Bar) para a realização de eventos promovidos pela APD, bem como a cedência das instalações da escola, nomeadamente o auditório, o espaço multiusos e outros recursos.
Hugo Sá, membro do Conselho Executivo da Profitecla, esclarece que “a escola tem uma visão muito clara sobre o que é a formação dos nossos jovens. É importante formá-los tecnicamente, mas, sobretudo, formá-los enquanto seres humanos, com um ensino muito virado para o exterior. Queremos ser uma escola inclusiva, que está na cidade em colaboração com a sociedade. Esse é o nosso contributo”.
Hugo Sá realça ainda o factor inclusivo que passa pela “consciencialização destes seres humanos para uma realidade diferente da deles, que pode ser um factor de crescimento enquanto pessoas e alunos, porque passam a tentar a noção do respeito do espaço do outro e da diferença. Esta vertente humana e social é forte no trabalho que queremos desenvolver com a APD”.
Uma colaboração que é vista com bons olhos pela delegação distrital de Braga da APD.
Rosa Guimarães, dirigente da APD, explicou que a “associação vive do voluntariado e com muitas dificuldades n o dia-a-dia e, por isso, toda a colaboração é muito bem-vinda”.
Outra dirigente da APD, Susana Ferreira, salientou o factor sensibilização dos jovens e das crianças que são importantes portadoras da mensagem.
“Este contacto dos jovens com a diferença é realmente importante porque há ainda um longo caminho a percorrer ao nível da mudança de mentalidades. Há muita retórica, mas que se reflecte muito pouco na prática”. Susana Ferreira dá alguns exemplos que passam despercebidos aos olhos dos outros, mas que fazem toda a diferença para quem tem problemas de mobilidade, como é caso da ausência de uma casa de banho adaptada para pessoas com mobilidade reduzida, em pleno centro histórico de Braga, ou as barreiras quase intransponíveis na procura de emprego”.
Ainda no âmbito da deficiência, três alunos finalistas da Escola Profissional Profitecla estão a desenvolver aplicações na área do turismo acessível. A primeira aplicação passa pela criação de um restaurante cem por cento acessível na cidade de Braga. Uma outra proposta é a implementação de uma base de dados, uma aplicação que possa ser utilizada por pessoas com mobilidade reduzida, que queiram utilizar o turismo acessível para seleccionar, por exemplo, um restaurante que esteja preparado para os receber com as suas limitações, sem constrangimentos.
O terceiro projecto é a criação de uma empresa de animação turística destinada ao mercado de pessoas portadoras de deficiência. Ideias de negócio que, caso vinguem, podem significar um bom contributo para as pessoas portadoras de deficiência.
Fonte: Correio do minho