Evolução
No período Eoceno (55 a 35 milhões de anos atrás) o cavalo tinha a estatura de um pequeno cão e não possuía casco, mas sim três dedos à nas patas da frente e quatro nas patas traseiras. Pensa-se que o cavalo adquiriu os seus cascos há 24 milhões de anos atrás, no período Mioceno, quando começaram a surgir as vastas planícies. Considera-se esta adaptação uma das mais significativas na evolução do cavalo.
Domesticação
As primeiras interacções entre cavalos e humanos ocorreriam muito milhões de anos depois. As primeiras pinturas rupestres de cavalos representam-no como um animal não domesticado, valorizado pela sua carne, retratando a relação entre presa/caçador.
Indícios indicam que a domesticação do cavalo deu-se em 2000 a.C., quando os bovinos e caprinos já faziam parte da vida do homem, e os cães já eram os seus fiéis companheiros há milhares de anos. Pinturas rupestres em França e instrumentos recolhidos em escavações arqueológicas parecem indicar que o cavalo era mantido em rebanhos como fonte de carne e possivelmente leite. Teorias mais recentes apontam para uma domesticação do cavalo em 4000 a.C. no leste europeu.
Os antepassados
Considera-se que o cavalo moderno descende dos cavalos da Eurásia. Os cavalos povoaram outrora o continente americano, mas o grupo extinguiu-se, pensa-se que devido à excessiva caça por parte do homeme e às alterações climáticas, durante a Idade do Gelo. A Austrália e a África subsariana nunca foram povoadas por cavalos. Na África subsariana podem-se encontrar animais da mesma família do cavalo: as zebras. Também os asnos, ou burros, são da mesma família dos cavalos.
Existem várias teorias acerca dos antepassados do cavalo moderno.
Existência de apenas uma espécie em estado selvagem que depois da domesticação deu origem a subespécies distintas;
Existência de três “proto” cavalos que representam três espécies diferentes;
Existência de uma espécie subdividida em três subespécies.
Esta última é a teoria mais divulgada. Segundo esta tese, há três subespécies de cavalos primitivos que se desenvolveram na Eurásia:
Cavalo da Floresta (Equus caballus silvaticus) – Cavalos de pesada estatura com pelagem espessa.
Cavalo Asiático (Equus caballus przewalskii) – Pequeno e forte, é o único tipo que sobreviveu até hoje, apesar de estar à beira da extinção. Todos os outros cavalos que se encontram a viver em estado selvagem, como o Mustang, resultam da “libertação” de cavalos em tempos domesticados.
Tarpan (Equus caballus gomelini) – Extinto no século XIX, tenta-se agora reavivá-lo usando entre outras raças o Sorraia.
Estudos genéticos recentes revelam que poderão ter existido outros grupos ainda desconhecidos ao homem.
Cavalo e o papel nas civilizações
Existe alguma incerteza sobre se o cavalo foi primeiro montado ou se foi utilizado para puxar carroças. Contudo, a domesticação do cavalo foi uma revolução em todas as áreas de vivência do homem. O cavalo veio trazer mobilidade, tornou-se numa valiosa ajuda no campo agrícola e também no de batalha. Sempre que houve confrontos entre uma civilização “a cavalo” e uma civilização “sem cavalo”, por exemplo, os conquistadores espanhóis e a civilização Maia, invariavelmente a primeira saía vencedora. Os norte-americanos costumam afirmar que o seu país foi construído na garupa de um cavalo.
Mais do que qualquer outro animal doméstico, o cavalo esteve presente em todos os aspectos da vida do homem: viagem, guerra, desporto/lazer e até mesmo na alimentação. Durante séculos e até à revolução industrial, o cavalo foi a “tecnologia de ponta” das civilizações. Com a reforma dos cavalos como máquina de guerra e mais recentemente como meio de transporte e ajuda na agricultura, o cavalo torna-se cada vez mais um animal utilizado no desporto, lazer e simplesmente como companhia.
Apesar disso a domesticação deste animal é sobretudo valorizada como fusão entre o homem e o cavalo, dois corpos que funcionam em perfeita sintonia.