Mãe e filhoQuando estamos grávidas, o que mais pensamos e pedimos a Deus é que nossos filhos nasçam saudáveis. Não pensamos e tampouco planejamos em que vão se transformar, seja menina ou menino. Se em médico, economista, engenheiro, advogado ou um gênio da ciência humana ou exata.
Se nascem com alguma deficiência física ou mental, o amor e o entendimento de que sofrerá preconceitos e discriminação pode até nos levar a uma negação inicial. Não querer ver algo, mesmo que para outros esteja mais que visível, não deixa de ser um comportamento de defesa.
Quem, em sã consciência, desejaria ter um filho com alguma deficiência? Acredito que ninguém. Entretanto, quando o filho chega, independente de como vem, se foi ou não planejado, se é negro ou branco, bonito ou feio(para a mãe é sempre lindo), nada mais importa. O amor nos transforma em leoas e nos dota de garras e voz para defendê-los contra todos e onde quer se seja. E assim será para sempre, não importa a idade.
Na medida em que vão crescendo desejamos que a cada dia sejam mais felizes, que trilhem o caminho do bem, se tornem cidadãos dignos, respeitados e que respeitem os direitos dos outros.
Se o filho não segue o caminho naquilo que a sociedade convencionou normal, ou seja, cresceu, estudou, fez faculdade, casou-se e teve filhos, a frustração é certa. Sobre os nossos ombros passamos a carregar o sentimento da culpa, acreditando que falhamos em sua educação.
Esta semana, enquanto estava no cartório fazendo a cobertura jornalística da primeira união gay formalizada em Várzea Grande, me vi pensando sobre o que levaria uma mãe a se omitir e se recusar a participar, rejeitar um filho, se recusar a participar dos momentos importantes da vida dele.
Como mãe, carrego um desejo no meu coração, algo que não depende apenas de mim, mas de um ser maior, supremo, no qual acredito mesmo sem saber o que Ele me reserva para o futuro. O de não sofrer a dor da perda de um filho. Por isso, rezo implorando a Deus que cumpra o ciclo natural da vida, ou seja, que os pais morram primeiro que seus filhos.
Fora isso, buscarei forças naquela reserva profunda de que toda mãe dispõe, para lutar em defesa e pelo direito do meu filho como toda mãe, acredito, tem obrigação de fazer. Afinal, mãe é para sempre; pai, nem sempre.
ALECY ALVES é repórter
alecy.pa@gmail.com
Fonte:
http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=396356