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Autor Tópico: Tudo em relação ao cuidador informal  (Lida 171601 vezes)

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Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #165 em: 14/03/2025, 18:24 »
 
PEDIDO DE DIVULGAÇÃO:
"Nos últimos anos temos vindo a dedicar-nos ao suporte de quem cuida dos seus familiares em condição de doença oncológica grave e avançada. Com o intuito de avaliar e compreender a experiência dos familiares e/ou cuidadores informais de doentes oncológicos em Portugal, gostaríamos de contar com a sua participação neste estudo.
Caso tenha mais de 18 anos e seja familiar de alguém com doença oncológica em fase avançada, solicitamos que preencha o seguinte questionário, com uma duração estimada de 15 a 20 minutos:
https://ispawjrc.qualtrics.com/jfe/form/SV_9sPWD1p5AeoGgSO
Caso tenha dificuldade em preencher por esta via, pode enviar os seus dados para o e-mail margarida.almeida@ispa.pt e entraremos em contacto consigo.
Se tiver disponibilidade agradecemos que partilhe este estudo com os seus contactos.
Agradecemos a sua ajuda!"





Fonte:  Associação Nacional Cuidadores Informais-Panóplia Heróis


 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #166 em: 23/04/2025, 11:00 »
 
Associação dos Cuidadores Informais pede revisão do estatuto

26 mar, 2025 - 14:15 • Ana Fernandes Silva

Dados mais recentes, de novembro de 2024, revelam que existem mais de 16 mil cuidadores com estatuto aprovado. Um número que representa "uma gota no oceano".

Representante do setor teme que os cuidadores informais deixem de existir Foto: Liliana Carona/RR
O Governo precisa rever o atual Estatuto do Cuidador Informal. O apelo é deixado, à Renascença, pela presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Infomais.

Liliana Gonçalves pede que o reconhecimento de cuidadores principais seja extensível a todos os cuidadores - tenham ou não uma atividade laboral, e que o subsídio de apoio abranja todos os cuidadores independentemente dos recursos e idade da reforma.

Os dados mais recentes revelam que existem mais de 16 mil cuidadores com estatuto aprovado. No entanto, Liliana Gonçalves alerta que o número está muito aquém da realidade, "uma gota no oceano".
"De 200 mil pessoas que terão pelo menos o acesso ao complemento de 1.º grau e 2.º grau, para além de pessoas com demência que temos em Portugal, nós estaremos sempre a falar de pelo menos 400 mil cuidadores a tempo inteiro e pelo menos 400 mil cuidadores que estarão a tempo parcial e a trabalhar", revela.
A presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais teme que se nada for feito pelos decisores políticos, os cuidadores informais deixem de existir e os problemas de saúde se agravem.


"Aquilo que vai acontecer com a população que cometemos com doenças crónicas e muito envelhecida, e falta de respostas em muitas áreas, nós vamos começar a ter populações muito mais vulneráveis, expostas a problemas de saúde mental, à sobrecarga e as saídas precoces do mercado de trabalho vão continuar a acontecer", adverte.

Liliana Gonçalves pede "que haja uma vontade política para alterar situações de fundo na sociedade da qual os cuidadores informais fazem parte".


Fonte: RR
 

Online Nandito

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #167 em: 02/06/2025, 20:43 »
 
Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal é pago hoje: Quem tem direito?

28/05/2025 08:46 ‧ há 5 dias por Notícias ao Minuto
Economia - Segurança Social



© Shutterstock

A Segurança Social procede, esta quarta-feira, ao pagamento do Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal, de acordo com o calendário de pagamentos disponibilizado no início do mês.

Conheça as regras.

Quem tem direito a receber?

De acordo com a Segurança Social, trata-se de um subsídio atribuído aos cuidadores informais principais que reúnam as seguintes condições:

- Cumpram a condição de recursos: O rendimento de referência do agregado familiar não pode ser superior a 1.3 do
  valor do Indexante dos Apoios Sociais - 679,25€  (IAS em 2025=522,50€);
- Não sejam beneficiários de prestações inacumuláveis com o subsídio de apoio ao cuidador informal principal, com
  exceção das pensões antecipadas (ver informação infra)
- A possibilidade de acumulação do subsídio de apoio com pensões antecipadas exige cumulativamente, as seguintes condições: demonstração que, à data do requerimento da pensão ou até 12 meses após essa data, o pensionista integrava um agregado familiar com pessoa titular de complemento por dependência de 2.º grau ou de subsídio por assistência de terceira pessoa, ou ainda, de complemento por dependência de 1.º grau.

Quanto se recebe?

"O montante do subsídio de apoio é igual à diferença entre a soma dos rendimentos do cuidador informal principal e o valor de referência do subsídio. O montante de referência do subsídio corresponde a 574,75€ (O valor de 1,1 do Indexante dos Apoios Sociais - IAS)", pode ler-se no site da Segurança Social.






Fonte: noticiasaominuto.com                       Link: https://www.noticiasaominuto.com/economia/2795105/subsidio-de-apoio-ao-cuidador-informal-e-pago-hoje-quem-tem-direito
"A justiça é o freio da humanidade."
 
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Online Nandito

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #168 em: 25/06/2025, 18:27 »
 
Mais de 9 mil pessoas exigem direitos e apoios para cuidadores informais em petição

MadreMedia / Lusa
25 jun 2025 14:28




Todos os cuidadores informais e ex-cuidadores com direito a subsídio, licenças reconhecidas e remuneradas ou descanso do cuidador gratuito são algumas das exigências da petição com mais de 9.500 assinaturas recolhidas pela Associação Nacional de Cuidadores Informais.

As mais de 9.500 assinaturas foram entregues hoje, no Parlamento, à vice-presidente da Assembleia da República Teresa Morais, e, no final, em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI) disse que a deputada social-democrata reconheceu que está em causa um problema social, que é necessário implementar o Estatuto do Cuidador Informal e os direitos contemplados, ao mesmo tempo que seria útil os partidos apresentarem iniciativas legislativas sobre o tema.

Liliana Gonçalves adiantou que esta petição surge com o objetivo de reconhecer todos os cuidadores informais e ex-cuidadores, salientando que, atualmente, dos cerca de 16.500 cuidadores com estatuto reconhecido, “pouco mais de 6 mil têm acesso ao subsídio”.

“Ficam excluídas as pessoas reformadas, as que trabalham a tempo parcial e que têm outro trabalho a tempo inteiro e também os cuidadores informais principais, se tiverem subsídio de desemprego, não podem aceder ao subsídio de apoio”, exemplificou a responsável.

“Nós entendemos que, independentemente da situação laboral do cuidador, todos deveriam ter acesso ao subsídio”, acrescentou.

A ANCI defende também a existência de licenças para cuidadores reconhecidas na lei, de curta ou longa duração, e que sejam remuneradas, uma vez que, atualmente, “o cuidador não tem direito a pedir licença para cuidar” e tem perda financeira.

“Pedimos que sejam reconhecidos a todos os cuidadores informais o direito ao descanso do cuidador, gratuito e que haja serviços complementares do serviço de apoio domiciliar, nomeadamente alívio de 24 horas”, defendeu Liliana Gonçalves.

Segundo a responsável, esta solução “é fulcral” para evitar que os cuidadores se vejam obrigados a por a pessoa cuidada numa rede de cuidados integrados durante 30 dias.

Caso isso seja necessário, a ANCI entende que não deve ser o cuidador a pagar, o que acontece atualmente, apesar de uma portaria de 2023 “calcular uma diferenciação positiva para os cuidadores informais com o estatuto”.

“Estamos a falar de pessoas que cuidam 24 sobre 24 e não têm dias de férias, não têm direito ao descanso. E mesmo as que estão a trabalhar para a entidade laboral, ao sábado e ao domingo, ou depois do horário laboral, continuam a ser cuidadores”, alertou.

Outra “alteração de fundo” que a associação entende ser necessária é a existência de uma carreira contributiva, assegurada pelo Estado, uma vez que a realidade atual dita que os cuidadores “não tenham qualquer desconto para a Segurança Social”.

Consequentemente, “depois não têm reforma” e correm o risco de “cair numa situação de vulnerabilidade social”.

É o caso de Liana Sousa, 58 anos, uma das cuidadoras que integrou o grupo que entregou a petição, e que é mãe de um jovem de 34 anos com paralisia cerebral, de quem cuida a tempo inteiro e por causa de quem deixou de trabalhar.

Não tem direito a reforma e recebe atualmente cerca de 300 euros de subsídio como cuidadora.

“Para o que é que serve? Para irmos duas vezes ao supermercado ou três? Ou então pagamos a água, a luz e as comunicações e mais não sei o quê e pronto, e acabou”, lamentou.

Apontou que enquanto cuidadora a tempo inteiro está fazer um trabalho a tempo inteiro e defendeu que os cuidadores sejam pagos tal como as instituições do setor social para receberem pessoas com deficiência.

A presidente da ANCI lembrou que os cuidadores informais estão a fazer “um trabalho gratuito que assegura cuidados que o Estado não consegue prestar” e, apesar de reconhecer que o atual ciclo político é difícil, apelou a todos os partidos para reconhecerem o papel do cuidador informal na sociedade.

De acordo com a responsável, as estimativas apontam para que entre 8% a 10% da população portuguesa seja cuidadora, 200 mil dos quais a tempo inteiro.







Fonte: 24noticias.sapo.pt                         Link: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/mais-de-9-mil-pessoas-exigem-direitos-e-apoios-para-cuidadores-informais-em-peticao?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
"A justiça é o freio da humanidade."
 

Offline Oribii

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #169 em: 25/06/2025, 18:28 »
 
“É um trabalho de amor”: cuidadores informais exigem licenças remuneradas sem restrições
Foi entregue esta quarta-feira no Parlamento uma petição que exige mais direitos e apoios aos cuidadores informais.

SIC Notícias

14:16

Continuam a existir cuidadores informais que ainda não são reconhecidos legalmente. Esta quarta-feira, a Associação de Cuidadores Informais entregou no Parlamento uma petição para exigir mais direitos e apoios.

Entre as medidas propostas estão, por exemplo, um subsídio de apoio ao cuidador - sem restrições de condição de recursos ou idade da reforma -, licenças remuneradas para cuidar, ajustadas às reais necessidades dos cuidadores, e apoio ao ex-cuidador informal através de subsídio social de desemprego e acompanhamento psicossocial.

“Queremos que o trabalho de todos os cuidadores conte para a reforma. Que o subsídio de cuidador seja abrangido a todos, não só aos que estão de baixa de apoio. Queremos a nossa autonomia económica”, pede uma cuidadora ouvida pela SIC.

“É um trabalho de amor que não é remunerado. Se não podemos trabalhar, daqui a uns anos quem vai cuidar de nós?”, questiona outra.

Neste momento existem mais de 16 mil cuidadores informais reconhecidos pelo estatuto no país. Mas cerca de 10% da população portuguesa poderá estar na condição de cuidador informal, apesar de não ser reconhecida.



Fonte: https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar/2025-06-25-video-e-um-trabalho-de-amor-cuidadores-informais-exigem-licencas-remuneradas-sem-restricoes-1814e47f?fbclid=IwY2xjawLJEItleHRuA2FlbQIxMQBicmlkETEzQWN1a0ZFcVRpWVhhUDdFAR7r64fEfMbnrThPOqjKgOtj6-UCno8FhyvIYFs9PGujTCkfYOGGrLezNYZoTg_aem_l9d2AHir61Gz8HOayE06fg#Echobox=1750858475

 
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Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #170 em: 06/07/2025, 09:39 »
 
Esperemos que não passe de.mais uma legislação à espera de.ser implementada....






Fonte: Associação Nacional Cuidadores Informais-Panóplia Heróis
 

Online migel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #171 em: 05/08/2025, 18:53 »
 
Misericórdia de Lisboa dá descanso a cerca de 600 cuidadores informais


Existe também um serviço de atendimento, um grupo de autoajuda e ações públicas para as quais os cuidadores informais são convidados
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apoia cerca de 600 cuidadores informais com programas que lhes permitem descansar, graças aos quais Felisberta Veiga desanuvia e convive, enquanto aprende a lidar com a dependência do marido.
Para Felisberta, 77 anos, tudo começou em 2021, quando o marido, então com 82 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).
“Nesse mesmo ano teve uma sepsia e teve uma meningite e ficou em cadeira de rodas. Ainda recuperou alguma coisa, mas hoje está em cadeira de rodas e não anda. A única coisa que faz sozinho é comer”, contou à Lusa.
Para as rotinas matinais, como levantar da cama, lavar e vestir o marido, Felisberta tem ajuda, mas no resto do dia e da noite é a única cuidadora.
Recorda como, entre outras coisas, teve de aprender a fazer o esvaziamento da bexiga, depois de o marido ter estado algaliado cerca de um ano.
Inicialmente, teve ajuda da equipa de enfermagem, mas “depois o resto é a prática” e dia após dia ir tentando fazer “da melhor maneira possível”.
Conta que o mais custa fisicamente é mudar o marido da cama para a cadeira de rodas ou vice-versa. Já psicologicamente diz que o mais difícil é lidar com o feitio do marido, que “não admite que precisa de ajuda”.
Chegou à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) aconselhada por uma assistente social, que lhe perguntou se não gostaria de ir a uma reunião de cuidadores.
Foi e continuou a ir todas as terças-feiras. Vai pelo ambiente, mas também pelo que aprende com as experiências dos outros cuidadores, porque todos passam por “situações completamente diferentes” em que “cada um age da melhor maneira possível”.
“É muito bom porque este bocadinho alivia a cabeça e estamos noutro ambiente”, salienta, acrescentando que “é bom sentir que não se está sozinho na situação”.
Além das reuniões semanais, Felisberta Veiga usufruiu de dois meses de descanso do cuidador, durante os quais o marido ficou instalado numa Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), da Misericórdia de Lisboa.
“Foi uma maneira de eu desanuviar da rotina que tinha, do ter de fazer isto, ter de fazer aquilo, que às vezes é um bocadinho complicado”, explicou.
A diretora de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade da Ação Social da SCML destacou como a instituição “tem tido uma preocupação especial com os cuidadores informais”, salientando que o cuidador “é aquela pessoa que garante o bem-estar da pessoa cuidada, mas ao mesmo tempo também tem de garantir o seu próprio bem-estar”.
Etelvina Ferreira contou que, depois de um estudo realizado em 2008 sobre cuidadores informais, a SCML lançou em 2014 uma iniciativa para proporcionar um período de descanso aos cuidadores.
Trata-se de uma colónia de férias, cuja duração pode ir de três a cinco dias, durante a qual a instituição garante a prestação de cuidados de saúde à pessoa cuidada.
De acordo com a responsável, a adesão ao programa de férias nem sempre é tão elevada quanto a organização gostaria, possivelmente por o cuidador sentir culpa por tirar dias de férias quando a pessoa cuidada está ali.
No entanto, garantiu que quem vai gosta e explicou que todos os dias há um programa, que tanto pode incluir uma ida ao cinema ou a um museu, um passeio ou cuidados de beleza, mas também sessões de informação.
Além destes programas, Etelvina Ferreira adiantou que a SCML tem outros serviços para o cuidador, nomeadamente um centro de recursos para cuidadores informais, onde é dada formação sobre temas tão diversos como a prevenção dos acidentes domésticos, noções básicas de alimentação e da administração da própria alimentação ou o estatuto do cuidador informal.
Existe também um serviço de atendimento, um grupo de autoajuda e ações públicas para as quais os cuidadores informais são convidados.
De acordo com a responsável, qualquer pessoa que seja cuidadora informal e viva na Área Metropolitana de Lisboa pode aceder a estes serviços, adiantando que a SCML apoia cerca de 600 cuidadores, metade deles com estatuto.
Disse ainda que não há lista de espera, uma vez que se consegue ir gerindo ao longo do ano as necessidades de descanso dos cuidadores, apesar de admitir que, naturalmente, há mais pedidos de cuidadores para usufruir de descanso durante os meses de verão.




Fonte: https://www.diarioaveiro.pt/2025/08/02/misericordia-de-lisboa-da-descanso-a-cerca-de-600-cuidadores-informais/
 

Offline Pantufas

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #172 em: 30/12/2025, 16:07 »
 

Há um estatuto que tira os cuidadores da invisibilidade

Seis anos após a aprovação do Estatuto do Cuidador Informal, em julho de 2019, a realidade de quem cuida diariamente de familiares dependentes continua marcada pela burocracia, invisibilidade social e apoios insuficientes. Em Portugal estima-se a existência de cerca de 1,4 milhões de cuidadores informais, mas apenas 18 mil têm estatuto reconhecido e pouco mais de seis mil recebem subsídio, com valores médios entre 400 e 450 euros.

Os números contrastam de forma evidente com a dimensão real deste fenómeno: a esmagadora maioria dos cuidadores continua sem proteção financeira, sem descanso e sem apoio psicológico estruturado, apesar de apresentarem riscos acrescidos de depressão e ansiedade.

A legislação que veio regulamentar direitos e deveres, e criar apoios como descanso e proteção contributiva para o cuidador principal, assim como algumas vantagens aos cuidadores trabalhadores, designados de cuidadores não principais. A estes são concedidos direitos como licença anual de cinco dias, 15 dias de faltas justificadas, teletrabalho, horário flexível, tempo parcial e proteção contra despedimento, com base no Código do Trabalho, para conciliar os cuidados com a sua atividade profissional.

É para, de alguma forma, colmatar as lacunas existentes na legislação que regulamenta o Estatuto de Cuidador Informal que foi criado o consórcio Guimarães, Concelho Cuidador. A iniciativa, coordenada pelo município vimaranense e operacionalizada através de um Gabinete de Apoio ao Cuidador localizado na delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, foi formalizada em fevereiro de 2021.

As 23 organizações que protocolaram este programa comprometeram-se a desenvolver várias atividades dirigidas aos cuidadores informais. Qualquer contacto ou esclarecimento adicional deve ser feito através do email gabineteapoiocuidador@cm-guimaraes.pt.

Este projeto de cooperação orienta os cuidadores informais para o apoio psicológico individual, sessões de formação e o esclarecimento necessário sobre as burocracias associadas à requisição do Estatuto do Cuidador Informal ou outros apoios sociais relacionados com as pessoas que cuidam.

No entanto, entre burocracias demoradas, falta de informação e apoios que tardam a chegar, muitos cuidadores sentem que o reconhecimento legal existe sobretudo no papel. As experiências de Bernardino Machado, Fernanda Abreu e Paula Fernandes mostram precisamente essa distância entre o que está previsto e o que realmente acontece no terreno. Sem o apoio deste e de outros projetos – como o Estórias da Madeira – Oficina de Criatividade, Empoderamento e Transformação Pessoal, promovido pelo Palavras Infinitas – Núcleo de Inclusão, Comunicação e Media e pela Because I Care – Associação para Apoiar e Cuidar de Pessoas que Cuidam, com a Câmara Municipal de Guimarães como investidor social – estes cuidadores informais estariam bastante desamparados.

Já a Caisa – Cooperativa de Artes, Intervenção Social e Animação, a partir de Vermil, tem vindo a criar respostas de proximidade dirigidas aos cuidadores informais, colmatando algumas das falhas deixadas pela aplicação prática do Estatuto de Cuidador Informal. Através de projetos como o Pequenos Cuidadores, na área da educação, a cooperativa acompanha crianças, jovens e idosos por fim a promover a partilha de experiências e ensinar o valor de cuidar de forma lúdica e intergeracional, resultando numa maior participação cívica e um melhor envolvimento social para todos.

Bernardino tornou-se cuidador a tempo inteiro após o filho, Diogo, sofrer lesões neurológicas graves decorrentes de complicações pós-cirúrgicas em 2020. Foi então que recorreu ao Estatuto do Cuidador Informal. O processo, feito online, descreve-o como simples na teoria, mas lento na prática: os apoios financeiros demoraram meses a chegar e a informação disponível era escassa. “Para cobrar, o Estado sabe sempre onde estamos. Para ajudar, já não”, afirma.

Fernanda Abreu é cuidadora desde 2007 e obteve o estatuto há quatro anos para poder equilibrar o emprego com os cuidados do filho, André, com neurofibromatose. Demorou dois anos (em contexto pandémico) para obter o reconhecimento, e a flexibilidade do horário de trabalho está prevista por lei, mas o agrupamento de escolas no qual é funcionária, ainda assim, negou-lha.

“Sabemos quais são os nossos direitos, mas chegamos à questão e dizem-nos que não”, confessa, reconhecendo que existem imensos cuidadores sem conhecimento sobre os respectivos direitos. “Às vezes esquecemo-nos de ir à procura dentro das Câmaras Municipais, que têm ação social, porque já estamos habituados a portas fechadas ou não obtermos sequer resposta”, explica a cuidadora.

Paula Fernandes, por outro lado, passou a vida inteira a cuidar, primeiro da irmã com trissomia 21, depois da mãe com demência, sem nunca ter pedido o estatuto. Não por não precisar, mas porque tem a perceção de que o processo é complexo, moroso e pouco compensador. “Com a facilidade logística que eu tenho, parecia não fazer sentido pedir. Foi um bocadinho por desmazelo e facilidade”, admite, destacando uma realidade transversal a muitos cuidadores: mesmo quando existem apoios, há quem não os peça porque não sabe, não consegue ou não acredita que valerão o esforço.

Todos apontam, de perspetivas distintas, para um problema comum: o estatuto não garante, de forma efetiva, condições que aliviem a sobrecarga emocional, física e financeira. Bernardino Machado fala na falta de articulação entre serviços e na escassez de respostas para quem cuida a tempo inteiro. Fernanda Abreu demonstra que a entidade patronal pode escolher não atender ao estatuto, fazendo-o perder força à luz da discriminação, pelo que deve ser reajustado. Paula Fernandes sublinha que pequenas ajudas, financeiras, logísticas ou de acompanhamento, fariam a diferença numa rotina que, muitas vezes, se vive em solidão. E critica a tendência para institucionalizar pessoas que poderiam continuar no seio da família com o apoio certo: “Empurrar para instituições nem sempre é a solução. Muitas vezes perdem autonomia, perdem escolhas”, refere a cuidadora informal.

Ao contrário do que o estatuto pretende assegurar, o peso do cuidado continua, na maior parte dos casos, entregue quase por inteiro às famílias. São elas que gerem, por norma, sozinhas, a saúde, os horários, os tratamentos, as decisões clínicas, a papelada e o desgaste emocional.  O caso de Bernardino Machado mostra que mesmo quando o estatuto é pedido, os apoios tardam e as famílias ficam meses sem respostas. Fernanda não vê os direitos contemplados, e a discriminação mantém-se mesmo face à lei. O de Paula Fernandes revela que muitos potenciais beneficiários nem chegam a entrar no sistema. Em comum, fica a sensação de que o país continua dependente do trabalho silencioso de cuidadores informais, cujo contributo rara vez é reconhecido na prática. Ainda assim, estes cuidadores reconhecem que este Estatuto de Cuidador Informal, que tanto custou a conquistar, é a única garantia atual para que estas pessoas que cuidam por amor saiam da invisibilidade.

Fonte: https://forumdeficiencia.guimaraes.pt/?p=3431
 

Offline paulomiguel

Re: Tudo em relação ao cuidador informal
« Responder #173 em: 27/01/2026, 08:45 »
 
 

 



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