
"É entrar no ônibus e ninguém querer sentar do seu lado. É procurar um emprego e não conseguir nunca... Ir ao colégio era quase que impossível. O tratamento das pessoas com ela sempre foi muito difícil". Foi com voz embargada e lágrimas nos olhos que a assistente administrativa, Roseni Loiola Moraes, 48, contou sobre o preconceito sofrido pela sobrinha Vanessa Loiola, 23, portadora da psoríase.
A doença de pele incurável e não contagiosa, nem por transfusão sanguínea, sendo hereditariamente transmissível pelos genes do psoriático. Na maioria dos casos, apenas a pele é acometida, não sendo observado qualquer comprometimento de outros órgãos ou sistemas. Em pequena quantidade, existe casos onde a artrite está associada.
Para analisar o comportamento das pessoas em relação a doença, foi realizada uma pesquisa pela Janssen-Cilag Farmacêutica, com 602 pessoas a partir de 20 anos, de oito capitais do país. Os entrevistados opinaram com base em dois quadros de fotos que retratavam portadores de psoríase em dois estágios da doença: leve e moderada/grave.
Cerca de 70% dos entrevistados demonstraram que teriam reações preconceituosas ao se deparar com pessoas com a doença e mais de 60% tiveram reações negativas ao ver fotos de pessoas com o problema. A maioria disse que evitaria contratar um profissional com psoríase para trabalhar em sua casa, ocupar uma posição gerencial ou ainda comer uma refeição preparada por ele.
A pesquisa mostrou também que 2/3 dos entrevistados nunca ouviram falar sobre psoríase ou afirmaram que ela é rara, contagiosa e que tem cura. Esses resultados demonstram o grande desconhecimento da população brasileira com relação à doença que atinge até 3% da população mundial.
A psoríase está associada a casos de depressão e comorbidades frequentes, como doenças inflamatórias do intestino, doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. Segundo dados do Consenso Brasileiro de Psoríase, até 60% dos pacientes com a doença sofrem de depressão. "De forma alguma esta é uma doença contagiosa. O problema é que as pessoas não sabem sobre a doença e acabam causando transtorno emocional naqueles que a possuem", afirma a dermatologista Juliana Drumond.
A dermatologista acrescenta: "[psoríase] É uma doença sem uma causa muito definida. As vezes pode acontecer por genética, outras por questões ambientais por causa do tempo seco ou frio. Além disso, outras doenças também podem desencadear a doença, que é o caso do estresse ou da depressão. Tudo isso pode causar ou piorar. Na maioria das vezes elas sao mais frequentes nos cotovelos e nos joelhos, mas pode estar em todo o corpo".
Rejeição e depressão - Na pesquisa, a rejeição da população entrevistada foi ainda maior quando se tratava de um estágio mais grave da doença, quando as placas atingem uma parte maior do corpo e são ainda mais difíceis de esconder por meio de roupa. "Minha sobrinha tem 23 anos e tem essa doença desde os 14. Começou do nada. No início achamos que fosse qualquer outra coisa, mas aí foi piorando, piorando. Até que ficou do pé a cabeça", contou Roseni.
Lamentavelmente, a situação de Vanessa, causou desconforto para a jovem até em escolas. Segundo, Roseni, a sobrinha é uma pessoa triste e chega a ser depressiva, devido a rejeição. "Uma vez, em uma escola que Vanessa estudou, uma mãe pediu o laudo médico da minha menina. Achei um absurdo e não entreguei. Qualquer um que procurar no Google verá que não é uma doença contagiosa", afirmou a tia.
Não tem cura, mas tem tratamento
O tratamento da doença, atualmente inclui medicamentos tópicos tópicos (cremes e loções) para os casos leves. Já na psoríase moderada e grave, problema que atinge até 25% dos pacientes com a doença, o tratamento pode ser realizado com medicamentos sistêmicos (orais ou injetáveis) e, atualmente, com os modernos agentes biológicos.
A dermatologista Juliana Drumond conta que apesar dos profissionais de sua área sempre pedir para que os pacientes evitem o sol, esse é um caso diferente. "Uma coisa que faz bem a pessoa com psoríase é a exposição ao sol. Dermatologista recomenda a não exposição, mas nesse caso, o sol faz bem, muito bem. Com moderação, é claro".
E ainda completa: "Não tem cura, mas tem tratamento, muitas vezes sem lesões. Mas é preciso ficar atento, pois sempre pode voltar. É uma doença que atinge mais as pessoas entre 30 e 40 anos, mas não tem idade. Qualquer um pode ter ".